quarta-feira, 4 de novembro de 2009

ELETRONIKA 2009


Pois é, gente. Essa minha quase mole vida é quase totalmente ocupada pelo meu trabalho, que modéstia parte, me agrada bastante. E é por isso que muitas vezes engulo sapos no passar do dia pois o tempo para o desabafo é pouco. Na maior parte do meu dia, troco o meu windows que não é Xp para o Velvet Club. Lá, tentando preservar textos e releases comuns de assessoria de imprensa de uma casa noturna, o jornalismo, na arte de fazer em si, o que reina - ou tenta - é a razão.
Das várias postagens que dedico às minhas tardes da semana, hoje o tema foi o Festival Eletrônica, que tá rolando aqui em BH. E como eu acredito que nossa cidade seja um dos principais palcos de bons shows e de uma boa música, eu precisava mostrar toda a minha alegria e satisfação de fazer uma matéria estilo "web jornalismo" para o blog do Velvet. E eu indico que, mesmo que você tenha uma quase mole vida que nem a minha, é preciso aproveitar essas chances que a nossa tão querida cidade mineira dá. Vá à luta, amigo. Curte o que está à seu dispor!

Por Lorena Martins
Começa amanhã, 05/11, mais uma edição do Festival Eletronika que reúne shows com atrações francesas, bandas da cena independente brasileira, filmes, oficinas e debates; uma série de oportunidades para você curtir o que há de mais novo nas tendências musicais do Brasil e do mundo. E o melhor disso tudo é que BH, pra quem sempre fala que nunca tem nada, é palco de um festival bacana que cabe no seu bolso: os ingressos custam R$30 por evento, sendo que é válida a meia entrada para os estudantes. Aproveitem!

Os shows, as oficinas de áudio e vídeo, debates e sessões de cinema vão acontecer no Espaço 104, um galpão revitalizado próximo à Praça da Estação. Após os shows, o evento se estende na madrugada em dois dias nos principais clubes da cidade, dentre eles o Velvet Club, que marca o primeiro dia de evento, a partir de meia noite, com os djs Bray, Yubaba e Camilo Rocha (SP). Na ativa desde os primórdios da cultura eletrônica no Brasil, o Dj, produtor e jornalista Camilo Rocha passou por todas as festas, publicações e movimentos que importam, sempre à frente da divulgação de novos talentos e sonoridades. Lembrando que a entrada custa R$15, sendo R$5 de consumação.

Foto: flickr Velvet Club

Neste ano, comemorando 10 anos de existência e adotando como tema O Ano da França no Brasil, o Eletronika traz uma das principais bandas mineiras de rock alternativo dos anos 90, Virna Lisi, que após 12 anos afastada dos palcos, volta a se apresentar amanhã, no Espaço 104, a partir das 21h.
Pra quem tava com saudade (como eu), confira o clipe de "Eu quero essa mulher", single de sucesso no álbum "O que diriam os vizinhos?"


Do dia 5 ao dia 7 deste mês, bandas nacionais e internacionais que mesclam com o gênero eletrônico serão atrações no Espaço 104. Dentre elas destacam os os franceses Rubin Steiner, Minitel Rose e Birdy Nam Nam, além dos brasileiros Stop Play Moon, Black Drawing e um dos mais esperados, Copacabana Club. Sem esquecer os mineiros queridos do Dead Lover’s Twisted Heart, dentre outros.
Copacabana Club - Just Do It



Para saber a programação toda do Festival, acesse o link: http://www.festivaleletronika.com.br/show/

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Mau-quente-humor


Que reflexões a bordo do 9410 que nada... agora meu auto-ouvinte, relembro da minha experiência numa tarde ensolarada, quente, seca com os 32ºC fervendo na capital mineira. Embarco no 8401, o meu novo cenário de contos dessa minha quase mole vida. O trocador, no horário de trabalho, não está na sua cadeirinha vertical do meu lado esquerdo, recebendo os trocados e conferindo a maquininha do BHbus. Ele está na parte traseira do ônibus, apoiando os pés no banco à frente e tirando um cochilo profundo. É... viver sentado deve ser realmente muito cansativo. Talvez, a minha indignação fosse um pouco amenizada se o celular do cansado e trabalhador trocador de ônibus não estivesse no volume máximo, sintonizado na Radio Extra FM. Antagonismo estampado no “Jornal do ônibus”, cuja edição dizia que “Gentileza urbana é... utilizar fones de ouvidos quando for escutar música, para não incomodar os outros”. E eu em pé, do outro lado da catraca, sem saber se passo ou não. Dúvida cruel interrompida pela pergunta, alta e em bom tom: Pode passar? 1 minuto para o pobre trabalhador se recuperar, e ele responde, levantando: Pode. Ok, o Brasil é nosso, o transporte público também e a paciência é um dom. E é preciso cultivá-la, principalmente no calor.

No mesmo ônibus embarca uma criança. Uma garotinha gordinha enfeitada, cheia de informações no figurino, desfilando a sandálinha rosa da Hello Kitty com relógio que ganhou no dia das crianças e que gosta de dar sinal pro ônibus e gritar, porque aquilo pra ela é o momento mais emocionante na sua vida. Minto. O momento mais emocionante da vida dela é quando ela dá o sinal pro ônibus, grita, sobe as escadas correndo pra suar mais e mais, passa pela roleta e grita mais alto: ô mãe, vão sentar lá no alto. É, o banco alto. Aposto que ele é feito especialmente para as crianças gordinhas, com ‘ganas’ de viver. E enquanto isso, a mãe, vai xingando a filha do momento que ela dá sinal pro ônibus até o banco alto. Longe de mim criticar meninas gordinhas ou debater sobre obesidade infantil. Eu também fui uma garotinha que de longe parecia uma bolinha colorida. Mas se naquela época eu já sabia que suar é uma das piores sensações do mundo e se eu soubesse que gritar no ônibus era tão irritante, eu com certeza repensaria os meus conceitos.

Ainda no mesmo ônibus, embarca aquela jovem que não importa a hora do dia, o seu estilo é fashion night. Senta no banco do lado do trocador, o mesmo que antes estava tirando o sono dos justos, conversa com ele, com a amiga que passa na catraca e pega o ônibus no mesmo horário, e vai conversando os 3. Conversando alto. Durante todo o percurso. E o calor, invadindo o meu corpo, a minha alma, a minha vida.

Desço do ônibus, mergulho no calor do asfalto, previno contra os males externos com a solução de álcool gel + efeito placebo e sigo para o meu destino. Mais tarde, após terminar a rotina do trabalho, espero mais uma vez a mercedez azul, até que uma simpática mãe de família puxa assunto comigo no ponto de ônibus. É mania de brasileiro puxar assunto ou o problema sou eu? De duas, uma: ou eu tenho cara de miss simpatia ou eu sou a pessoa com mais azar desse mundo. Pois bem, a coitada tinha torcido o pé. E isso bastou para ela contar todas as luxações e quebraduras que já ocorreu na vida da pobre coitada. Quebrou o braço no judô, bateu os joelhos inúmeras vezes também no judô, torceu o pé no trabalho e quebrou o dedo mindinho batendo no filho dela na bunda do filho dela, de 16 anos. Crianças... Às vezes fica difícil controlar a paciência. Como ela me disse, o filho a irritou. Ainda assim, no final do meu dia, eu não sei se a situação é engraçada ou triste. Se acho engraçado a mulher baixinha batendo no filho, já adolescente ou se choro de imaginar tamanha dor do pobre coitado.
Se alguém souber a resposta, pode dividir comigo. Afinal, com doses de humor irônico é que a gente tenta levar essa quase mole vida.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Se eu fosse você...

eu clicava pra fugir um pouco dessa "quase mole vida".

http://velvetclub.blogspot.com

Por Lorena Martins

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Eu sofro


Hj eu tive a minha primeira briga no trânsito. E foi na aula de direção.

Mamãe disse que eu sou ótima no controle de embreagem, mas o resto... Ônibus pra mim são dinossauros, pessoas que não atravessam na faixa eu vejo como boliche humano e os motoqueiros são folgados. Mas os homens de regata nas caminhonetes são repugnantes.

Coisas que eu odeio: curvas.

Curvas são contra a lei física da inércia. Me faz perder o controle da noção de espaço e tempo. E foi por causa de uma dessas curvas estreitas, fechadas, que a confusão começou.
6 e 15 da manhã, instrutor repetindo a palavra de ordem na minha cabeça SINALIZA, SINALIZA, SINALIZA e eu em mais uma tentativa fracassada de fazer uma curva, sem entrar na contra mão de direção. A caminhonete azul anil vinha, com um cara tipo físico de borracheiro e camisa regata vermelha. Para a caminhonete na minha frente e começa a rir e mexer a sobrancelhas numa espécie de código para transmitir a mensagem ao meu instrutor: "coitado de você, meu amigo, ela dirige muito mal, puta que pariu". E o pior, riu muito, riu de mim, na minha cara e eu ali, naquela tentativa frustrada de tentar dirigir. Palhaço.
Janela esquerda com janela esquerda. Eu desci o vidro e fiquei surda com os mandamentos do meu instrutor “ VIRA O VOLANTE, VIRA O VOLTANTE, VIRA O VOLANTE” e soltei na cara do borrecheiro: “ta rindo de quê, ô babaca? Nunca aprendeu a dirigir não?”.
Declaro: homem numa caminhonete de regata vermelha a partir de hoje é a coisa que eu mais odeio na vida.
Meu Deus, eu errei a curva, dirigi mal, tá, confesso. Mas qual é a graça? Alguém, numa caminhonete fuleira, de regata vermeeeelha, rindo de mim, por causa da curva. Um homem rindo de uma jovem aspirante à motorista. É o cúmulo do Brasil. Do mundo. E de todas as coisas existentes na face da Terra.
Quando a caminhonete sumiu dos meus olhos e eu voltei a meu estado de espírito elevado para a mais profunda concentração na minha aula, o instrutor estava no meio da lição de moral do dia: Nunca, jamais faça isso.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pequena dramaturgia, parte 1

Ah não, já são 5:30 da manhã e hoje tem aula de economia...

Desce escadas.
Vó? Bença.
Deus te abençoe.
Ô Paulo, fica quieto aqui, tá muito cedo. A menina levantou agora porquê tem aula, pode "sussegar" aí.
Resmungo.
Você fica de noite assim ó... batendo cabeça em frente a televisão, dormindo e de manhã fica assim, sem sono.

Hahahahahahaha, mulheres no comando do casamento, mesmo na velhice.

Vó, deixei minha escova aqui, o vovô tá aqui dentro?
Ô Paulo, a menina que escovar os dentes e você fica aí mexendo nas gavetas. Não sei que abrição de gaveta seu avô arruma no closet. Fica lá, abre e fecha gaveta...abre e fecha gaveta...
Deixa vó, eu espero...

Você comeu direitinho?
Ô vô, se eu comer eu chego atrasada...

É, vai nessa... seu exame de sangue vai sair branco, só água...

Hm, acordou...
Abre interfone.
Tchau Tia. Tchau Vó, tchau vô.
Coro: Tchau, vai com Deus...
Amém.

Foram em média 6 meses.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

blackwhite

Domingo, 13 de setembro de 2009 - 10:42 am

Escrevo da mais alta torre de uma bela casa localizada num bairro de casas belas. Escrevo sozinha e escuto música com as paredes, amigas cor de pêssego, simpáticas e sempre fiéis aos meus segredos . Mas o que talvez seja mais relevante nessa história é que além de tudo, escrevo com uma semana de sono atrasado. Eu preciso dormir.

Sexta feira da semana passada eu arrumei minhas malas rumo ao paraíso: Rio de Janeiro. Precisava trocar o som alto, o ar condicionado que resseca minhas lentes de contato e os flashes cegueiros em minha direção pelo Sol, vento e mar. Prometi expor a pele aos raios solares e acabar definitivamente com as piadinhas de meia calça branca. Mas a sorte é uma coisa imprevisível.

Após longas horas de viagem de carro, chego às 3 da manhã do sábado, na cidade maravilhosa e faço a primeira parada: Lapa; uma mistura de ambiente universitário, savassi, estudantina e um pouco de tudo. Canso de observar e analisar a miscelânea por volta das 10 e meia da manhã, onde sigo pra Ipanema. E o céu, nublado.

Domingo, o Sol nascia para todos. Aluguel de cadeira, 3 reais. Afundei na areia, observei a redondeza e fixei meu território. Dica: vou sair da praia só quando minha pele ficar quase igual à cor da noite, do pecado... Sensação delirante: Lata de itaipava molhada, gelada, pingando. Retira a tampinha protetora de alumínio, alisa a beirada da lata e... puxa o lacre, naquele barulhinho como uma mordida de biscoito crocante. Sensacional. Até que veio uma gota, duas, três... várias gotinhas, gotas fortes, chuva. Muita chuva.

Era domingo, segunda é dia de ir embora e eu não tinha sentido o Rio dentro de mim. Precisava de algo para tentar saciar o desejo do calor, do fluxo carioca, do ritmo... o funk. Santa Tereza, cerveja gelada e MPB como trilha sonora da vida talvez seja um canário típico das melhores inspirações. Mas não, meu coração precisava acelerar mais... Isso, o funk! Mais do que gritar I LOVE FUNK CARIOCA, é ir no Furacão 2000. Rio sem Furacão 2000 é deixar de curtir a vibe mais positiva que sua alma pode experimentar na vida! De Nilópolis à Barra da Tijuca, o funk carioca une pessoas, classes, patamares e gostos. Rebolar o bumbum, arremessar o cabelo para o lado, levantar a mão... meu jovem... você queria se jogar no povão, eu sei, eu sinto.

Elevei minha alma. E por motivos metabólicos que implora 12 horas de sono sem interrupção, termino aqui. O domingo não existe. Sinal de que você tem todo o tempo do mundo. Mas se a animação corre nas veias, curta um funk, rebole, remexe, se jogue e seja feliz. Afinal, o Brasil é nosso.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Volta, inspiração


As férias estenderam devido às possíveis manifestações da Influenza A, conhecida também como a gripe suína. O inverno de 34ºC tem provocado as mais irritantes percepções e as mais profundas inspirações. E o brilho labial da Nívea que uso para o vento frio que cortava meu rosto continua, agora com um protetor solar labial fator 15, “repair & protection”, sabor limão, embalagem verde.
O domingo, que seria o dia que não existe, o dia da ressaca onde você acorda somente para ir ao banheiro e depois vai procurar o Faustão e cochilar ao movimento da Dança dos Famosos, resolvi ir quebrar a rotina e me aventurar em algo que é de extrema percepção que não tem muito haver comigo. Domingo eu fui ao pagode.
O convite era o seguinte: Churrasco e chopada, $5 feminino, somente com o nome na lista. Carne eu não como, mas pagar somente $5 para beber à vontade, é mais apreciativa do que passar o dia todo no parque Guanabara ou "twittando".
Pagode combina com quadra, e não tinha outro lugar mais atrativo do que uma quadra de tênis, com uma banda de pagode que ordena o mesmo passo seguido pela nata das piriguetes, de um lado. Do outro, o telão com o jogo do galo que alterna o grito da bola na rede com a paquera de micareta, onde não importa quem você seja, desde que você tenha boca e de preferência, uma franja lisa no rosto.
E obviamente, a propaganda do convite era enganosa. A churrasqueira estava ali, sem carvão, sem carne, sem nada. E o chop era comercializado por $2.50 o copo, por meio de garotos-propagandas capitalistas, chamados de YO, vestidos de amarelos com o barril de chop amarrado nas costas. Aonde eu estava? Analisei o ambiente ao meu redor até que saí do transe com a frase de um colega: “Queridáááá, fiquei tranqüila”. Virei a pinga no fundinho do copo lagoinha, respirei, arrumei o topete e fui sambar ao som de “lêlêlêlê, em casa... lêlêlêlê, na cama, lêlêlêlê...tirando a roupa toooda”. Carpe Diem.
O pagode do Camisa 2, banda que se apresentava, durou horas e durante o intervalo da banda, o substituto foi um simpático rapaz, estilo barzinho e violão, que depois vários estilos musicais, mandou ver um Raul Seixas que me fez pirar. Chopada chega ao fim, era 8 e meia da noite, muito cedo para um domingo de férias. Sigo no carro, em companhia da minha fiel mãe amiga responsável pelo pagode, hora de explorar a agenda telefônica em busca de um outro lugar para terminar o domingo. A resposta foi iluminada no meio do nosso caminho por meio de um cartaz estampado no posto de gasolina: Arcadium. Uma mistura de bar, pub, inferninho cuja a fila dobrava à esquina, por volta das 10 da noite. O som que comandava o Arcadium naquele dia era Hip Hop. Restantes da nata das piriguetes estavam na fila, mesclando com os meninos joviais explodindo hormônios por onde as meninas passavam. Resolvemos pagar para ver.
Entrei e topei logo com um cartaz do Tupac que me olhava estranho me deixando desconfortável. Muita cerveja, muita franja, muito loiro e muita preguiça. Parecia o único lugar aberto do mundo e não parava parava de encher. E quando a "vibe" começa a ficar negativa, o segredo é não forçar a barra e admitir que a melhor opção é curtir a minha cama, o filme do domingo à noite e só.

domingo, 19 de julho de 2009

Férias

Talvez insistir na tecla imaginária que sou feita de carne, osso e coração seja ainda necessário. A minha quase mole vida muda o totalmente o sentido na temporada presente. Longe da faculdade que mesmo sem ser obrigatório ter o diploma, o trabalho continua, eu não consigo descansar. Porém, algo está errado quando não consigo mais ter as minhas inspirações quase banais quando vejo um aspirante a palhaço de um trocador de ônibus a bordo do 9410, rumo ao infinito.
Agora vivo o tempo frio que marca o anoitecer e a respiração profunda do cansaço após longas horas de trabalho; o vento que corta e embola o cabelo de duas cores e faz com que a minha franja grude na boca coberta pelo brilho labial da Nívea que consumo loucamente nesse período. E que mesmo o frio ajude nas minhas melhores produções fashionistas e que deixa a minha pele mais branca, não me inspira como o calor insuportável que não consegue aquecer os corações desejáveis. I found a reason, sem precisar do trocadilho de trocar um coração por um fígado, desde que vontade e estômago não falte.
A pequena brilhante saiu de férias, e a ressaca no domingo não faz tanto sentido quando vou ao banheiro e não encontro o sorriso de janelinhas, espiando as minhas novas tatuagens e me ensinando a viver mais do que qualquer adulto.
Estou parada contra o tempo, sem ver filmes que ditam a trilha da minha vida, com saudades da bagunça dividida há anos entre eu e a dona da minha chave e a minha sutileza à disparar meu humor irônico e inteligente movido pela rotina.
Férias. Mas por hoje, sem fotos, sem saltos... sem Sol.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O primeiro dia no jornal

De: Isabella Paula Martins
Para: Lorena Karoline Martins


13/07/2009

"Um dia Lorena foi para o seu 1º dia no trabalho, era seu aniversário, ela ia fazer 17 anos. Só que quando chegou lá, ela não sabia que eles não tinham todos os dados dela, então ela não sabia que os amigos iam fazer uma festa para ela. Então ficou quieta fazendo sua matéria naquele lugar tão legal.
Umas 6:50 hrs da tarde aconteceu o acontecido; ouve uma suspressa: cantaram parabéns para ela com bolo, salgados, talheres, doce e tudo.
E o que Lorena disse:
- Mas que beleza!! Isso tudo é para mim?
E o pessoal disse:
- Sim !!!
E ela ficou muito feliz com o seu 1º dia de trabalho e quando chegou em casa trouxe um bolo, docinhos e salgadinhos e contou a aventura."

sábado, 27 de junho de 2009

comentários babacas

- E agora José? O jornalismo acabou?
- Será? O que vamos fazer da nossa vida?
- Viver sentados em algum boteco de esquina, tomando uma cerveja gelada e segurar o título que todo jornalista é boêmio.
- Isso te preocupa?
- Nada. Aliás, jornalismo nunca precisou de diploma. Não sei que bobeira é essa....
- É... pensando nesse sentido. Basta ler e escrever bem, ter um dom de analisar umas coisas aí que acontece em sua volta...
- Verdade, até porquê estudar ética e essas baboseiras todas... quem disse que nesse país alguém consegue ficar ético por muito tempo?
- rsrsrs... é verdade.
- A minha afilhada, você precisa de ver... tem 6 anos e conversa como se fosse gente grande. E lê a bichinha, viu... ô menina que gosta de ler.
- Tá vendo? Essa aí vai ser jornalista... eu aposto nas crianças, o futuro da nação... precisam ser preparadas para construir um mundo melhor.
- Pois é, a gente já tá velho... na hora de curtir a cervejinha mesmo e colocar a meninada pra trabalhar, rsrsrs.
- Esse pessoal da faculdade deve tá revoltado, né? Porra, paga uns 800 reais por mês pra fazer jornalismo e agora nem precisa de diploma... tá achando que dinheiro cai do céu, né?
- Faculdade pública é uma máquina de dinheiro, nunca vi...
- Mas que é sacanagem, é...
- O quê?
- Essa aí do diploma...
- Foda né cara... Povo rala pra caramba. No início você não escolhe a área que quer trabalhar, eu lembro que eu tinha que cubrir essas brigas de bairro. Já vi cada "presunto" que até Deus duvida.
- Lembra da nossa vida de estagiário? Nossa, bicho... até tremia na hora de entrevistar e o povo pintava com a gente!
- Tinha um pessoal que não respeitava, via que era um jornalista que tava ligando e já folgava...
- Agora que você comentou sobre isso... o que seria do mundo sem a gente?
- Já ralamos a noite toda à base de cigarro e café pro seu vizinho tomar suco de laranja às 6 da manhã e ler o resultado do seu trabalho limpinho em cima da mesa.
- A gente é o que o povo vê, lê e escuta todos os dias, e tem gente que nem acha que merecemos um diploma pra isso?
- Ah, isso é o de menos. Mas se alguém dizer que bebe mais que a nossa turma, aí eu reivindico.
- E eu também. Na cerveja de cada dia, merecemos pelo menos algum reconhecimento.
- Ow, psiu... manda mais uma aí pra gente?

terça-feira, 2 de junho de 2009

você está ficando velha

Foto por: Lorena Martins
A pior parte do final de semana é o domingo, acredite.
O domingo não existe. Domingo é aquele dia que você dorme o dia todo, principalmente após a ressaca do sábado. O dia que você fica na cama, embrulhada no edredom apesar do calor, por volta dos 27ºC do outro lado do mundo, que não pertence aos limites do seu quarto.
E durante todo o dia, você só levanta uma vez para fazer o xixi, que dura em média 3 minutos.
Mas antes, a sua cabeça começa a colocar na balança imaginária os fatores positivos e negativos, os prós e os contras da questão: "Vale a pena levantar, mesmo?"
Tudo bem, a bexiga dolorida vence e eu resolvi levantar e seguir os passos básicos.
Levantei, dei a típica esfregada nos olhos e fiz a primeira pergunta que me vem à cabeça quando entro em contato com o mundo exterior - no meu caso, minha nada mole vida - : "Que horas são?"
Desço as escadas, arrumo a calça do pijama e acerto a linha de frente com a de trás. A caminho do banheiro, rola aquela típica coçadinha do braço, na altura do ombro e pronto: o banheiro está trancado. Era Isabella, 9 anos, minha sobrinha.
Dois minutos e eu bato na porta. Ela deixa eu entrar, até que vejo que a pia aonde eu deveria me apoiar para enchergar o emaranhado de cabelos, resultado da anti-chapinha do dia anterior, se transformou numa piscina de bonecas Polly - pouco material nada biodegradável e frágil que custa muito caro considerando a péssima aparência. Pollys são horríveis.
Não existe paciência no domingo. A adorável Isabella precisava sumir dali, e eu precisava fazer xixi. Sentei no troninho, molhei as meias e os chinelos pela piscina de Pollys que transbordava até que soltei: "desliga essa água porquê o mundo está acabando!". Mas acontece que o projeto de gente com janelinhas me surpreendeu: "Tia Lorena, você está ficando velha".
Velha?
Tinha opções: Acabar com a palhaçada; arremessar as bonecas para o infinito e esvaziar a pia.
Ser a tia bruxa e dizer que velha era ela por não possuir todos os dentes na boca.
Ou me render e chamar a vovó.
No final das contas, ela secou as Pollys (porquê elas precisam ser secas?) e me chamou para tomar café. E como uma futura-velha, fui dormir.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Miscelânea II

(Quase) todos os dias é (sempre) assim.


5:20am a 9ª sinfonia de Beethoven toca, o pão espera gelado coberto na chapa e o trocador com o som de ouvido me espera. Desço do ponto da antiga Igreja Universal do Reino de Deus, o casal se amassa logo na manhã saldando "Jesus Cristo é o Senhor!". Olhares contrariavam a inércia e concentram nas unhas verdes descascadas. O senhora com a cara ruim sobe com dificuldade o morro e enquanto leva o cão para passear com a mão esquerda, segura na outra o terço de madeira, rezando em voz alta. A medida que o polegar passa uma bolinha para trás, o vento vem de frente...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Caiu aqui!

Dizem que "A felicidade mora em Santa Teresa". Deixo claro que o rei do macarrão, vulgo Bolão, não se inclui nesta citação.
Generalizo minhas ideias ao dizer o "Bolão" como um conjunto. Isso inclui a sábia conversa dos universitários na madrugada fria, os garçons que quase atropelam as pessoas com as bandejas de espaguete ao sugo e até algumas figuras raras, como o cabelereiro Tonhão, que na minha última visita ao restaurante me narrou a fantástica emoção de ir ao terceiro show da Madonna. Graaande Tonhão.
Bolão é um lugar que eu gosto. Buteco histórico de esquina, bacana, bem copo sujo. O que não há de felicidade nele é o banheiro.
Ah, o banheiro do Bolão... Após beber uns copos de uma boa cerveja, resolvi analisar o tamanho do local: cerca de meio metro quadrado, ou melhor, tira o meio metro e deixa o quadrado. Um quadrado que não me cabe de braços abertos. Estamos na geração de mulheres grandes. Não dá pra ser feliz com os meus 1,78 metros de altura no banheiro do bolão. Me sinto tão apertada, com os joelhos batendo na parede da frente e me imagino presa numa espécie de solitária do extinto Carandiru(SP).
Sentar é uma tarefa corajosa. Não sei quem inventou a ideia da mulher nunca sentar ao vaso sanitário de algum estabelecimento público para fazer o xixi. Assim, com o passar das horas e das frequências no banheiro juntando com os goles de cerveja, a mira fica difícil e o xixi vai se acumulando na beirada da tampa do vaso. Eu, que geralmente chego às 2, 3 horas da madrugada, o ato de fazer xixi se reverte: Não é você que urina no vaso; ele urina em você.
A situação crítica não perdoa também no chão. Por impossibilidade de fazer uma mira com sucesso, o chão torna-se uma lagoa. E o cheiro, invade os pulmões, corta o cérebro e enoja o estômago.
É desanimador. Aliás, aquela típica olhadinha dentro do vaso antes de tentar sentar, a imagem que me remete é tão dourada como uma mina de ouro no final do arco íris. Porquê o xixi vai ficando cada vez mais amarelo e mais fedorendo? Eis a questão.
Mas o desabafo desse meu capítulo da minha quase mole vida teve uma resposta. Perguntei ao garçon o seguinte: "QUE BANHEIRO É ESSE?".
Ele me contou que o estabelecimento funciona QUASE 24 horas(aleluia, imagina 24 de xixi true?!). Por volta das 7 e meia da manhã, as portas fecham e reabre às 11. Calculando, o banheiro que eu fui, estava simplesmente 20 horas e meia sem limpar!
Daqui uns dias, vou tirar o rótulo de "quase" para NADA mole vida.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

.ROMA



Gosto (des)agradavelmente de tudo. Gosto tanto que sou capaz de trocar o silêncio do perto pelo barulho do longe. Prefiro o café na esquina tumultuado, que deixa o coração cheio do que o prato feito e misturado na companhia do copo de suco em silêncio. Não importo com a chuva, mas sinto a diferença no final, quando ela acaba. Me dói o desprezo mas me dói mais a saudade. A saudade do saber que nunca foi a ordem direta: como tudo é. Como elas são.
Cada um com a sua maneira, do seu jeito, mesmo grande. Mesmo pequeno. Mesmo com ódio, com tapas sentimentais. É assim: inexplicável. É uma permutação perfeita de "n "vezes: roma, omar, mora, ramo, armo, etc. Não se aplica nas exatas e nem em nada. Deixa assim.
Quero de volta o lirismo, os desvios do caos mesmo estando na belle époque. A madrugada da fome, o empurrar da geladeira com o pé e a garrafa de vidro preta com 1 litro e meio pendurada ali na esquina. "Deixa assim, não importa como será, o amanhã ainda nem se sabe".
Troco o segundo andar solitário pelo pequeno quarto molhado. Os ressonados que embalam a noite, a pedra que machuca no fundo sem pensar antes de dizer; a permutação incondicional.

domingo, 8 de março de 2009

We can do it?

8 de março, dia Internacional das Mulheres.
07:12 PM "Parabéns pelo nosso dia", estava escrito na mensagem de celular que eu recebi.
Muito obrigada madrinha. Talvez meu dia seria perfeito se eu tivesse visitado o supermercado Extra e ganhado uma rosa vermelha pelo meu dia como todos os anos.
Mas será que é só isso?
Meu dia todo foi inspirado por uma análise do que seria o dia Internacional da Mulher. Reservas de restaurante, de motel e flores recebidas remete o dia de hoje para os Dia dos Namorados.
Pouca gente conhece a verdadeira história do dia Internacional da Mulher. Confunde-se que seria um dia de exaltar a figura feminina, mas na verdade o dia 8 de março foi um dia de conquistas, lutas, revoluções, o dia que a mulher arregasou as mangas e armou o maior barraco porquê já tava puta da vida com a falta de direitos e com as condições precárias no trabalho, então lutou em busca de melhor salário e dignidade. E, como resultado da manifestação, as mulheres foram trancadas na fábrica e queimadas em 1857.
A data não serve para comemorar a mulher pelo fato de ser mulher, e sim, por tudo que ela conquistou. E é essa imagem da mulher musculosa que postei aí em cima que eu, uma pseudo jornalista que enfrento muitas coisas resultantes da minha "nada mole vida", pretendo resgatar. No período da Segunda Guerra Mundial, o "We can do it" foi um ícone feminista. A mulher, com o lenço na cabeça como a dona do lar e mãe é ao mesmo tempo a representação de que "temos o poder", e foi criado para privilegiar o lado feminista da mulher que nesse período participou pela primeira vez da produção da força militar, nos EUA.
Mulheres não precisam deixar de ser mulheres para reivindicar. A conquista pelo voto, pelo trabalho, pelo estudo e por uma porrada de coisas fazem com que o dia de hoje seja importante. Não é preciso presentear a mamãe, a vovó, a titia e a madrinha porquê hoje é o dia da mulher, e sim parabéns pelas lutas, pelo nosso poder de conquista e ainda mais, pelo simples sentimento que é necessário abrir os olhos e ir atrás do que temos por direito, na conquista cada vez maior do espaço na nossa sociedade.
Não quero ser moralista demais. Mas hoje é um daqueles dias que pensei nos meus direitos, principalmente como viajante do meu diário ônibus 9410. Sem desaforos, sem boas tardes e sem mais olhares para as minhas pernas, principalmente depois da minha nada mole depilaçã0. Como eu escutei certa vez e continuo falando... "eu sou feita de carne, osso e coração".
Aliás, que diferença faz o meu coração do meu intestino? Diante da sua superioridade,qual deles você me aconselha a abolir?!
Nem machismo, nem feminismo. O punho cerrado que levanta no grito de guerra é o mesmo que na hora da raiva, estende o dedo do meio da mão, como uma forma também de luta pelo direito. Com um pouco mais de charme, é claro.
E que não morra jamais o sentimento de que"nós podemos" e "Viva la revolución, mujeres"! ;)